Governistas querem aprovar Previdência em fevereiro para evitar novos rebaixamentos de rating

Por Ricardo Brito e Lisandra Paraguassu
6 Min, DE LEITURA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BRASÍLIA (Reuters) – Lideranças governistas afirmaram à Reuters nesta sexta-feira que pretendem intensificar as articulações para aprovar a reforma da Previdência na Câmara em fevereiro a fim de evitar novos rebaixamentos da nota de crédito do país.

Congresso Nacional, em Brasília 07/04/2010 REUTERS/Ricardo Moraes
Na véspera, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito da dívida soberana do Brasil para BB-, ante BB, em função da demora na aprovação de medidas para reequilibrar as contas públicas, como a reforma da Previdência, e de incertezas devido às eleições deste ano.
A S&P foi a primeira das três principais agências de crédito –Moody’s e Fitch são as outras duas– a revisar a nota de crédito brasileira este ano.

Na avaliação do ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB), se a reforma da Previdência não for feita, a “certeza” é que o país vai viver de “rebaixamento em rebaixamento”.
“Que cada um agora faça a sua leitura. Muita gente acha que estamos superdimensionando a situação, mas não é isso. O Brasil precisa dessa reforma e todos os indícios nacionais e internacionais dizem isso”, disse.
Para Marun, atualmente não há mais argumentos técnicos para ser contra. “A oposição é contra porque é oposição. Mas os dados estão aí disponíveis para todos, que façam sua análise”, acrescentou.
Um dos vice-líderes do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP) reconheceu que a decisão da S&P é “muito ruim” para o Brasil porque prejudica o investimento internacional no país.
“Se a gente tiver a cabeça no lugar, vamos aprovar a reforma no dia 19 de fevereiro exatamente para que outras agências não nos rebaixem também”, disse Mansur, um dos parlamentares mais próximos ao presidente Michel Temer.
Outro vice-líder do governo na Câmara, Darcísio Perondi (MDB-RS), avaliou que o rebaixamento da agência é um aviso para os parlamentares enfrentarem o maior item de gastos públicos no país, que é a Previdência.

“Faremos do limão uma limonada”, destacou ele, ao considerar que, no recesso, o apoio popular à reforma aumentou e faltam agora menos de 50 votos para conseguir aprovar a proposta.
Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC)são necessários os votos de ao menos 308 dos 513 deputados para sua aprovação na Câmara, mas o governo tem dito que quer, para ter uma margem de segurança, a garantia de 320 a 330 votos.
Marun vai na mesma linha de Perondi. “Estamos vivendo a situação surreal em que o rebaixamento do nosso rating é visto com otimismo pela nossa economia, pois traz a esperança de que isto contribua para uma conscientização que permita a aprovação da reforma”, reforçou.
CULPADOS
Pouco depois da decisão da S&P, divulgada na noite de quinta, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou à Reuters que as duas denúncias do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot contra Temer pesaram na decisão de rebaixamento da nota devido ao impacto que tiveram no ritmo do Congresso.
A declaração foi uma resposta a avaliações de que a culpa pela não aprovação da reforma seria do Legislativo.
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, responsabilizou o Congresso pela proposta não ter passado, conforme ele disse em entrevista ao blog do jornalista João Borges.
Maia e Henrique Meirelles ensaiam uma candidatura à sucessão de Temer e têm rivalizado nos últimos dias.
Perondi é outro que culpa as denúncias contra Temer pelo atraso da votação da reforma. “As denúncias atrapalharam em seis meses a votação, com um custo para o Brasil”, criticou.
Marun também admitiu que elas pesaram no calendário da votação, mas disse que não é hora para “avaliar culpados”.
“Não vou olhar no retrovisor, vamos olhar para frente. Temos que aprovar essa reforma no calendário para evitar novos sinais negativos”, disse, ao defender o avanço da reforma ainda no primeiro semestre de 2018.
O relator da reforma, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), acredita que a rivalidade entre Maia e Meirelles, pré-candidatos a presidente, não vai prejudicar a reforma.
“É inevitável que haja essa discussão, a eleição presidencial acontecerá em outubro e seja quem for o presidente, vai encontrar uma realidade bem mais favorável se a reforma for aprovada, e bem difícil se não for”, disse.
CORAGEM PARA VOTAR
Para o líder eleito do PSDB na Câmara, Nilson Leitão (MT), a agência S&P anunciou um “naufrágio” e os parlamentares precisam, cada vez mais, apreciar a votação da reforma agora, mesmo sendo um ano eleitoral.
“Parte do Congresso, de forma equivocada, não quer enfrentar a reforma porque é ano eleitoral. Parlamentar tem que ter coragem de debater e votar”, disse o tucano, que vai liderar a bancada a partir de fevereiro, na volta do recesso. Até o final do ano, os deputados tucanos estavam divididos sobre a reforma.
O relator Arthur Maia considera que a decisão da agência é mais uma prova “consistente” da necessidade da reforma, porque não haverá “milagres” que evitem novos rebaixamentos.
“Quanto mais a gente tiver agências que avaliem o risco do Brasil, os juros vão aumentar significativamente, com repercussão negativa”, disse o relator.
Ele reafirmou que é possível haver novas alterações ao seu último parecer, apresentado em dezembro, desde que não modifique “cláusulas pétreas”, como a idade mínima e o fim dos privilégios.
“É claro que uma mudança aqui e acolá possa ser feita desde que tragam votos. Não farei nenhuma mudança que não traga apoios”, frisou.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s